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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

ASPECTOS VERBAIS

Na frase “Só que há um ano e três meses, ninguém mais pode visitar o Museu Nacional do Automóvel”, o verbo “pode” deve ser no presente ou no passado? 

O presente do indicativo é usado para o momento em que se fala, mas ele pode ser empregado no lugar do pretérito perfeito, em recurso linguístico chamado presente histórico.

Quando lemos, nos livros de História, narrativas como “Em 24 de agosto de 1954, Getúlio Vargas não suporta as pressões da oposição e mata-se com um tiro no peito, em seus aposentos do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro”, temos um frase em que os verbos, embora no presente do indicativo, têm valor de pretérito perfeito, pois relatam ações completamente acabadas no tempo.

O mesmo pode acontecer com o verbo no futuro do presente, usado com o valor de presente.

Nos dez mandamentos, na Bíblia, encontramos “Não matarás”; “Não desejarás a mulher do próximo”; “Não furtarás”. Nesses mandamentos os verbos estão no futuro do presente, mas não significa que tais ações somente serão proibidas no futuro. A ordem é de execução imediata: não matar, não cometer adultério, não furtar desde agora, no momento presente.

Este recurso deve ser usado com cautela e discernimento, levando-se em conta, principalmente, a capacidade de decodificação do destinatário da mensagem.

Na frase da consulta, o uso do presente indica que o impedimento das visitas deu-se no passado, mas continua no momento atual. "Ninguém pôde visitar até ontem e hoje também não se pode visitar". Se for essa a intenção, o presente pode ser usado, englobando o passado. Agora, se no momento atual já é possível a visitação, use o passado.