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terça-feira, 31 de julho de 2012

SEQUESTRO(S)-RELÂMPAGO(S)


Em virtude da Reforma Ortográfica e das mudanças que naturalmente ocorrem na língua do dia a dia, este conteúdo gramatical teve de ser revisto. As pluralizações que os dicionários e gramáticas apresentavam há cinco anos não são as mesmas de hoje.

Modernamente, os autores têm admitido duas pluralizações para os substantivos compostos, ligados por hífen, formados por dois substantivos: ambos no plural ou somente o primeiro flexionado, independentemente do tipo de relações que estabelecem entre si. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), da Academia Brasileira de Letras, nosso documento oficial, confirma isso:
  
  • abelha-europa: abelhas-europa e abelhas-europas 
  • banana-maçã = bananas-maçã e bananas-maçãs 
  • salário-família = salários-família e salários-famílias 
  • escola-modelo: escolas-modelo e escolas-modelos 
  • couve-flor = couves-flor e couves-flores (Antigamente só se admitia a regra de ambos no plural)
Portanto, por analogia, o composto “sequestro-relâmpago” pode ser pluralizado de dois modos: só o primeiro elemento varia – “sequestros-relâmpago”; os dois variam “sequestros-relâmpagos”.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

CONSULTA – Qual a forma correta “Chegou a duas horas” ou “Chegou há duas horas”?

Quando se faz referência a tempo decorrido, o certo é empregar o verbo “haver” que, nesse caso, é impessoal e equivale ao verbo “fazer”.
            ·    Chegou "há” duas horas.
            ·    Ele partiu “há” pouco menos de dez dias.

Se a referência for a tempo futuro, deve-se usar simplesmente a preposição “a”.
            ·    Chegará a tempo de assistir à solenidade.
            ·    Ele partirá daqui a duas horas.

ESSE / DESSE


O correto não seria o emprego do “esse” (já que estamos nos referindo a um crime já mencionado) na frase abaixo?
“Personagens do núcleo financeiro são acusados de gestão fraudulenta por simular, segundo o ministério público, empréstimos que teriam permitido lavar o dinheiro do esquema de compra de apoio político. A pena para ESTE crime é de três a doze anos de prisão”.
Correto. Os demonstrativos ESSE - ESSA - NESSE – NESSA – NISSO – DESSE – DESSA são anafóricos, isto é, são usados com referência a algo que JÁ foi expresso no texto.
Quando nos referirmos a algo que será expresso a seguir, usaremos os catafóricos ESTE – ESTA - NESTE – NESTA – NISTO – DESTE – DESTA, que antecipam algo que AINDA será dito.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

CERTEZA DE QUÊ?

Na frase “Eu tenho certeza que o tribunal reverá a decisão”, há algum erro?

Existem dois complementos que devem ser obrigatoriamente regidos de preposição:

a) O objeto indireto, que complementa o sentido dos verbos transitivos indiretos e bi-transitivos, como em
           · Dei (verbo TDI) algum dinheiro ao mendigo.
           · Pagou (verbo TDI) a conta ao açougueiro.
           · Precisava (verbo TI) de dinheiro.
           · O projeto visava (verbo TI) a nossos interesses.
           · Não assiste (verbo TI) a ele o direito de reclamar.

b) O complemento nominal, que complementa o sentido dos nomes transitivos, como em

           · Eu tenho certeza (nome transitivo) de que você errou.
           · Temos orgulho (nome transitivo) de nossos atletas.
           · Os eleitores estão perplexos (nome transitivo) com suas opções.
           · A justiça pronunciou-se favoravelmente (nome transitivo) aos réus.

A frase correta, portanto, é “Eu tenho certeza de que o tribunal reverá a decisão”.



HÁ / A


CONSULTA – Qual a forma correta “Chegou a duas horas” ou “Chegou há duas horas”?

Quando se faz referência a tempo decorrido, o certo é empregar o verbo “haver” que, nesse caso, é impessoal e equivale ao verbo “fazer”.
             ·    Chegou "há” duas horas.
             ·    Ele partiu “há” pouco menos de dez dias.

Se a referência for a tempo futuro, deve-se usar simplesmente a preposição “a”.
             ·    Chegará a tempo de assistir à solenidade.
             ·    Ele partirá daqui a duas horas.

terça-feira, 17 de julho de 2012

ESPERAVAM-O / ESPERAVAM-NO


CONSULTA – Qual é a forma correta “As pessoas esperavam-o / esperavam-no”?

Quando o verbo termina em -m, -ão, -õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma no, na, nos e nas: As pessoas esperavam-no. / Dão-nos, convidam-nas, põe-nos, impõem-nos, irritam-nas.

No caso específico da frase da consulta, existe, também, a possibilidade de se escrever “As pessoas o esperavam”, porque o sujeito é um personativo e a antecipação do pronome oblíquo torna-se opcional.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

DUPLA NEGATIVA

CONSULTA – A frase “Não tenho nenhuma razão para duvidar” está correta?

A presença de duas negativas na mesma frase (não e nenhuma) não é aconselhável. Alguns gramáticos (Cegalla, Napoleão, Cunha) afirmam que as duas negativas próximas transformam a frase em afirmativa. Segundo essa visão, fundamentada na lógica, seria como se disséssemos: “Tenho razão para duvidar”.

Para manter a gramaticalidade e não correr o risco da inversão do sentido, é melhor usar “Não tenho QUALQUER razão para duvidar”.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

MESÓCLISE II

Consulta – Reportando à pergunta sobre a colocação do pronome oblíquo átono, no primeiro exemplo o correto não seria: – Vocês lhe fariam ( fazer-lhe-iam ) um favor enorme?

Resposta – O uso da mesóclise é obrigatório quando o verbo está no futuro do presente ou no futuro do pretérito e não há fator que privilegie a próclise (palavras subordinativas - advérbios de negação - tempo - lugar).
  • O verbo "fazer", no futuro do pretérito, é: (faria / farias / faria / faríamos / faríeis / fariam).
  • Ao colocar o pronome "lhe" mesoclítico a essas formas, obtemos (far-lhe-ia / far-lhe-ias / far-lhe-ia / far-lhe-íamos / far-lhe-íeis / far-lhe-iam ), como recomendado na resposta à citada consulta.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

MESÓCLISE


CONSULTA – A frase “Vocês fariam-lhe um favor enorme” está correta?
 
Não se usa pronome oblíquo átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes, o/a, os/as) depois (ênclise) de futuro do presente e de futuro do pretérito (antigo condicional). O correto é a mesóclise (no meio do verbo) ou, quando possível, a próclise (antes do verbo)

·    Vocês lhe fariam (far-lhe-iam) um favor enorme.
·    Ele se imporá (impor-se-á) por seus conhecimentos.
·    Os amigos nos darão (dar-nos-ão) um presente.
·    Faltar-lhe-ia fôlego para escrever mais.
·    Vender-nos-iam aos inimigos.