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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

USO DO HÍFEN

– Como se escrevem as palavras formadas com o prefixo “anti”? Usa-se o hífen?

– O prefixo anti- que denota oposição: antídoto, anticristo, antipatia, antiabortivo, (contrário ao aborto), antiacadêmico, anticatártico (que suspende a ação purgativa ou catártica), antineurótico (contrário à neurose), antiofídico (aplicável contra a mordedura das cobras), antiorgástico (que combate o orgasmo), antipiogênico (que ataca as bactérias piogênicas), antizímico (que se opõe à fermentação),

É seguido de hífen quando se liga a palavras começadas por “h” ou “i”:anti-histórico, anti-histamínico, anti-higiênico, anti-imperialista, anti-infeccioso.

Antes de palavras iniciadas por “r” ou “s” não há hífen, e essas consoantes se duplicam: antirregulamentar, antirreligioso, antirrábico, antissemita, antissoviético.

Antes de qualquer outra letra, não há hífen: antípoda, antífrase, antigripal, antiabolicionista, antibiótico, anticomunista...

terça-feira, 2 de outubro de 2012

IMPLICAR

Está correta a frase "Discurso de Dilma implica em riscos políticos”?
Essa notícia traz uma polêmica gramatical muito comum no dia a dia do brasileiro. Todos, se não usaram, já ouviram alguém dizer implica em alguma coisa. É certo ou não?
Está errada a regência verbal. O verbo “implicar”, com o sentido de “resultar”, “ocasionar”, “produzir” é transitivo direto.
  • Discurso de Dilma implica (resulta-ocasiona-produz) riscos políticos.
  • A vida sedentária implica (resulta-ocasiona-produz) danos à saúde.
  • Desviar recursos públicos implica (resulta-ocasiona-produz) o desprezo da população.
Segundo o padrão culto da língua portuguesa, o verbo implicar só admite a preposição quando significar envolver-se em complicação, em embaraço; comprometer(-se), envolver(-se), ele será verbo transitivo direto e indireto ou pronominal. Por exemplo:
  • A amante implicou o deputado em negócios ilícitos. Neste caso implicar é transitivo direto e indireto, tendo como objeto direto o deputado e como objeto indireto, negócios ilícitos.
  • O deputado implicou-se em negócios ilícitos. Neste caso implicar é verbo pronominal.
Quando significar agir de modo inconseqüente, ele será pronominal: Impliquei-me em confusões mentais.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

AVISAR

O choro das crianças chamou a atenção de uma funcionária da limpeza que avisou os seguranças. Ou avisou aos seguranças?

– O dicionário de verbos e regimes, de Francisco Fernandes, recomenda que o verbo “avisar” – no sentido de “fazer ciente” – seja construído como transitivo-relativo, ou seja, com objeto direto e indireto. E dá inúmeros exemplos de construções em que isso acontece.
  • Avisá-lo-ei de que deve comparecer ante vós. (lo = objeto direto; de que... = objeto indireto).
  • É a primeira vez! Avisou-lhes o malvado. (lhes = objeto indireto; o malvado = objeto direto). 
  •  Avisar ao rei e ao reino que se prevenissem. (ao rei e ao reino = objeto indireto; que se prevenissem = objeto direto).
No caso presente, considero que um fato (o choro das crianças) é avisado AOS seguranças. Assim, é de melhor alvitre usar-se “aos seguranças”.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

AO ENCONTRO DE

 A frase “A promoção veio de encontro aos seus desejos” está correta?
Supondo que uma promoção é desejada pelo promovido, a frase está incorreta. Explico. De encontro a significa condição contrária: “A queda do nível dos salários foi de encontro às (foi contra) expectativas da categoria”, isto é, não era o que a categoria desejava.
Ao encontro de é que expressa uma situação favorável: A promoção veio ao encontro de seus desejos.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

ACENTUAÇÃO GRÁFICA


As palavras pastéis e anéis, conforme nova regra ortográfica, perderam o acento gráfico?
Os acentos gráficos nesses ditongos tônicos de base aberta "ei", "oi" só caíram nas palavras paroxítonas, como paranoico - diarreia - benzoico – cananeia - etc.
O acento gráfico permanece, se tais ditongos estiverem em palavras oxítonas, e nos monossílabos tônicos, como anzóis - anéis - lençóis - bacharéis – pastéis – céu – réis (antigo plural de real, moeda usada no Brasil até 1942) – méis (plural de mel) – léu – réus – etc.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

À MEDIDA QUE / NA MEDIDA EM QUE



 – O correto é “à medida em que” ou “à medida que”?   
 – Depende da relação que se queira mostrar.
“À medida que” é uma locução conjuntiva usada para expressar a proporcionalidade de uma ação em relação a outra.

O certo é: “à medida que” (à proporção que):
  • À medida que a epidemia se alastrava, mais e mais doentes perdiam as esperanças.
  • A certeza da condenação aumentava à medida que os vogais proferiam seus votos.
  • À medida que aumentam os índices de rejeição, diminuem as possibilidades de vitória.
A locução conjuntiva “na medida em que” tem valor causal (tendo em vista que, porquanto):
  • É preciso cumprir as leis, na medida em que elas existem.
  • Na medida em que somos todos iguais perante a lei, não pode haver privilégios de qualquer espécie.
  • Os filmes nacionais não têm boa bilheteria, na medida em que as empresas distribuidoras estão presas ao capital estrangeiro.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

CONSULTA - HIPER-REALISTA



Como é que se escreve: “hiperrealista” ou “hiper-realista”?

Na visão de muitas pessoas, o hífen deixou de existir e, agora, os dois "rr" juntam-se sempre. Errado.

Vamos entender o problema. As palavras que passaram a ser escritas com dois erres "rr" são as formadas de prefixos terminados em vogal seguidos de termos que se iniciam pela letra "r", como é o caso de "autorreflexão" (auto + reflexão). Assim acontece porque entre duas vogais, um "r" ou dois "rr" são pronunciados de forma diferente ("caro" "carro").

O Acordo Ortográfico simplificou a regra: se a letra final do prefixo for idêntica à inicial do termo seguinte, haverá hífen. Assim: contra-almirante, entre-eixos, arqui-inimigo, micro-ondas, sub-base, pan-negritude, circum-murado, hiper-realista etc.
Logo, a grafia correta é “hiper-realista”.