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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

LOUVA-DEUS / LOUVA-A-DEUS

Qual das formas é a correta? Como se faz o plural?

Os dicionários Aurélio e Houaiss e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) registram as duas grafias, mas consideram “louva-a-deus” como a forma preferencial.

Para o plural, a palavra não varia: o louva-a-deus / os louva-deus.

Isso acontece com os substantivos de dois números, isso é, têm uma forma única para o singular e para o plural, fazendo-se a distinção com a variação do número do artigo (ou outro determinante) que os antecede.

Pertencem a essa categoria todos os substantivos terminados em –x e os substantivos proparoxítonos e paroxítonos terminados em –s.

EXEMPLOS: o alferes – os alferes; o atlas – os atlas; o bíceps – os bíceps; o cais – os cais; o lápis – os lápis; o mil-folhas – os mil-folhas; o ônibus – os ônibus; o ourives – os ourives; o pires – os pires; a práxis – as práxis; o vírus – os vírus; o cálix – os cálix; o clímax – os clímax; o códex – os códex; a fênix – as fênix; o índex – os índex;  o látex – os látex; o ônix – os ônix; o tórax – os tórax; o xérox – os xérox...

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

REGÊNCIA VERBAL PERMITIR

Professor, achei estranha a frase veiculada em um jornal de circulação nacional: “Uber perde licença que a permite operar em Londres”. O que o senhor acha?

Pode apostar que não acho graça alguma.

Todo professor de Língua Portuguesa sabe da dificuldade que o assunto “regência” representa nas aulas de Gramática. A regência verbal trata da forma como os verbos se relacionam com seus complementos (objetos direto e indireto) e aí mora grande parte do problema, mas vamos ao caso específico da pergunta.

O verbo “permitir” é um verbo que deve (pode) ser construído com dois complementos. Um objeto direto (aquilo que é permitido - coisa) e um objeto indireto (aquele que recebe a permissão – pessoa). Quem permite, permite alguma coisa a alguém.

Os pronomes oblíquos átonos “o – a – os – as” podem ser exclusivamente objetos diretos de verbos, quer dizer, são os recipiendários (palavrão desgraçado) da ação verbal. Já o pronome oblíquo átono "lhe" serve exclusivamente como objeto indireto.

Logo, na frase de que tratamos, o pronome antes do verbo representa “Úber”, a pessoa jurídica que recebe a permissão (objeto indireto) e deve ser trocado por “lhe”. O objeto direto é a expressão ”operar em Londres”...

Depois dizem que Português é difícil...

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

VERBO INTERMEDIAR

O furacão de categoria 4 em uma escala que vai até 5 acabou afetando a infraestrutura presente no local. Um exemplo é a TI Sparkle, uma das empresas que intermedia o tráfego de rede entre o resto do mundo, que comunicou que as estações na região de Porto Rico tiveram sua atividade reduzida, segundo informações obtidas pela a Folha de S. Paulo.

A grafia do verbo negritado está correta?

Não. O verbo “intermediar” não se conjuga assim.

Os verbos terminados em -iar têm conjugação regular, ou seja, seguem a conjugação de qualquer verbo terminado em -ar, como, por exemplo, o "andar". Então, se dizemos "eu ando, tu andas, ele anda", também diremos "eu negocio, tu negocias, ele negocia".

Há alguns verbos terminados em -iar, porém, que não seguem essa conjugação. É o caso de "mediar", "ansiar", "remediar", incendiar", "odiar" e todos os seus derivados. Esses verbos terão o acréscimo da letra "e" antes da terminação -iar, nas pessoas "eu, tu, ele e eles" do presente do indicativo(todos os dias ...) e do presente do subjuntivo (espero que ...). A conjugação desses dois tempos ficará desta forma: Todos os dias eu medeio, tu medeias, ele medeia, nós mediamos, vós mediais, eles medeiam. Que eu medeie, tu medeies, ele medeie, nós mediemos, vós medieis, eles medeiem.

Todos os outros tempos seguem a conjugação regular, ou seja, terão conjugação igual à de qualquer verbo terminado em -ar.

O verbo "intermediar" é derivado de "mediar" e sua conjugação é idêntica. 
A palavra destacada, então, deve ser assim grafada:          INTERMEDEIA

terça-feira, 22 de agosto de 2017

A FALTA QUE UMA VÍRGULA FAZ

Por volta das 13h25m, o corretor deixou o prédio da Justiça e seguiu para PGR em uma viatura da Polícia Federal onde assinou a colaboração premiada.

O sujeito assinou o documento onde? Na viatura da Polícia Federal? Na PGR? Oh, dúvida cruel!

Quando o professor diz que a aula será sobre colocação da pontuação, muitos alunos ficam enfastiados, porque acham que nada conseguirão aprender e também que isso é “cultura inútil”, como bem ensinou o professor de Física...

Conheci uma professora que ensinava a colocação da “vírgula biológica”: “Você escreve sem se preocupar com as vírgulas. Depois, leia o texto e vai colocando as vírgulas, à medida que interrompe a leitura para respirar”.

Lindo, mas a vírgula é um problema gramatical e nada tem a ver com a capacidade respiratória de cada um de nós...

No texto em questão, as sequências “em uma viatura da Polícia Federal” e “onde assinou a colaboração premiada” são adjuntos adverbiais de lugar, ambas acrescentando circunstâncias ao verbo “seguir”. Para clarificar o texto e dar-lhe consistência lógica, basta colocar o primeiro adjunto adverbial ENTRE duas vírgulas: “Por volta das 13h25m, o corretor deixou o prédio da Justiça e seguiu para PGR, em uma viatura da Polícia Federal, onde assinou a colaboração premiada”.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

SEMPRE QUE HÁ / SEMPRE QUE HAJA

“Rezam o bom senso e o Código de Processo Civil que um juiz deve se declarar impedido de atuar em determinado processo SEMPRE QUE HÁ razões objetivas ou subjetivas capazes de comprometer a imparcialidade do julgamento”.

Professor, li esse texto em um grande jornal brasileiro e fiquei em dúvida sobre o uso do verbo haver. 

E você tem razão. O uso do verbo haver está realmente contrário às regras gramaticais. 

Quanto ao problema do uso do singular está tudo bem, pois o significado é o mesmo dos verbos existir, ocorrer e, nesse caso, o verbo haver é impessoal e fica sempre na 3ª do singular.

O problema reside no modo verbal. O modo indicativo deverá ser usado para representar ações que ocorreram, ocorrem ou ocorrerão sem a menor sombra de dúvidas.
  • Havia políticos desonestos no passado (passado).
  • Há políticos desonestos no presente (presente).
  • Haverá políticos desonestos no futuro (futuro).

Quando, entretanto, houver qualquer possibilidade de o fato verbal NÃO OCORRER, como sugerido pelo uso do advérbio sempre, no texto da consulta, deveremos usar o modo subjuntivo. “Sempre que haja razões objetivas ou subjetivas capazes de comprometer a imparcialidade do julgamento”. 
  • Sempre que houvesse políticos desonestos (subjuntivo passado).
  • Sempre que haja políticos desonestos (subjuntivo presente).
  • Sempre que houver políticos desonestos (subjuntivo futuro).


segunda-feira, 24 de julho de 2017

AGROINDUSTRIAL ou AGRO-INDUSTRIAL?

Professor, qual a grafia correta de “agroindustrial / agro-industrial”?

Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento.

Exemplos: aeroespacial; agroindustrial; anteontem; antiaéreo; antieducativo; autoaprendizagem; autoescola; autoestrada; autoinstrução.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

A VÍRGULA NO APOSTO EXPLICATIVO

O Jornal O Globo, de 20jul2017, traz o texto a seguir: “Existe a possibilidade de que o presidente da Câmara Rodrigo Maia assuma a presidência da República”.

Existe uma “Câmara Rodrigo Maia” no Brasil?

Nada disso. O redator do texto deve ter faltado à aula sobre o uso da vírgula no interior da oração, ou sobre análise sintática dos termos da oração, ou as duas... No entanto, ganha a vida trabalhando em uma empresa que tem no uso da língua um de seus principais insumos de produção de lucros.
“Câmara“, no caso, é, certamente, a Câmara Federal e “Rodrigo Maia” é seu presidente atual.

Como existem inúmeras “câmaras” por aí, o autor do texto resolveu estabelecer com clareza de que câmara tratava, explicitando seu presidente. O termo que “explicita” um outro classifica-se como “aposto explicativo” e deve ser SEMPRE usado entre vírgulas.

“Existe a possibilidade de que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, assuma a presidência da República”. Dessa forma, o leitor sabe perfeitamente de que câmara se trata e quem é seu presidente de plantão.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

TEM / TÊM - DETÉM / DETÊM

Professor, ontem houve uma discussão no trabalho, sobre a acentuação gráfica no verbo “ter”. Ainda existem os “acentos diferenciais”?

Sim. O acordo ortográfico preservou alguns dos acentos diferenciais.
Permanecem os acentos que diferenciam as 3ªs pessoas do singular e do plural dos verbos ter e vir, assim como de seus derivados (manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir etc.).

Exemplos:
  Ele tem dois carros. / Eles têm dois carros.
  Ele vem de Sorocaba. / Eles vêm de Sorocaba.
  Ele mantém a palavra. / Eles mantêm a palavra.
  A crise advém da ganância / As crises advêm da ganância.


segunda-feira, 17 de julho de 2017

DIGNITÁRIO / DIGNATÁRIO

Professsor, vi e ouvi o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, dizer, por duas vezes, a palavra “dignatário”, em entrevista concedida à imprensa. Está correto? Não seria “dignitário”?

Você está certo.

Seria "dignatário" se derivasse de "dignadade", mas "dignadade" não existe. O que existe é a palavra "dignidade", da qual provém "dignitário".

domingo, 16 de julho de 2017

CO-HABITAR / COHABITAR / COABITAR

Que forma está correta? CO-HABITAR / COHABITAR / COABITAR 

O Acordo Ortográfico é omisso com relação à palavra “coabitar” e seus cognatos (palavras de significação aproximada). Devemos, portanto, seguir a norma que manda manter a escrita das palavras já consagradas pelo uso.

Assim, devemos grafar “coabitar / coabitação / coabitante...”

terça-feira, 11 de julho de 2017

VER / VIR

Está certo isto,Professor? “Se você VER pixels brancos em meio as outras cores, já sabe: não é uma TV 4K RGB”.

Não!

Quando há dúvida ou incerteza sobre a efetividade da ação que se quer expressar, usa-se o modo subjuntivo do verbo. O verbo VER, no futuro do subjuntivo é: “se eu vir; se tu vires; se ele (você) VIR; Se nós virmos; se vós virdes; se eles (vocês) virem.

A equívoco decorre da semelhança gráfica e fonética entre os verbos VER e VIR e, principalmente, do desconhecimento sobre tempos e modos verbais, assunto do qual os professores fogem como o diabo da cruz...

segunda-feira, 3 de julho de 2017

RESPONDEU / RESPONDERA

Professor, o tempo verbal usado nesse texto está certo? “Na manhã de ontem, o Procurador Janot respondera duramente as críticas ao Ministério Público, feitas por Gilmar Mendes no dia anterior”.

O tempo verbal chamado “Mais que Perfeito do Indicativo” deve ser usado quando a ação verbal declarada tiver ocorrido em um momento anterior a outra ação verbal, também presente na frase.

No texto, a resposta de Janot ocorreu em momento posterior à crítica de Gilmar. Mesmo porque uma resposta sempre vem depois de uma pergunta ou ação. 

O autor da frase deveria ter usado o verbo no Pretérito Perfeito do Indicativo: 
“Na manhã de ontem, o Procurador Janot respondeu duramente as críticas ao Ministério Público, feitas por Gilmar Mendes no dia anterior”.

Ou

“Na manhã de ontem, o Procurador Janot respondeu duramente as críticas ao Ministério Público, que Gilmar Mendes fizera no dia anterior”.

terça-feira, 20 de junho de 2017

CONCORDÂNCIA DO VERBO "PARECER"

Professor, um grande jornal publicou a notícia: “E todos parecem terem passado do ponto de não retorno, enquanto o Palácio do Planalto procura debilmente manter uma certa ordem na casa para escapar do naufrágio que volta e meia parece inevitável”.

A conjugação dos verbos destacados está correta?

O verbo “parecer” pode ser usado como verbo principal de uma oração ou como verbo auxiliar de um outro verbo. Isso leva, às vezes, a um mau entendimento sobre seu emprego.

PARECER – COMO VERBO PRINCIPAL
Os alunos parecem cansados.
Ludmila parece-se com Natasha.

Nesse caso, a concordância é normal. O verbo concorda com o sujeito em número (singular / plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª).

PARECER – COMO VERBO AUXILIAR
Os alunos parecem entender o problema. O verbo parecer comporta-se como verbo auxiliar. A concordância é feita com o auxiliar e o principal fica em forma nominal (infinitivo impessoal).

Os alunos parece entenderem o problema. O verbo parecer fica na 3ª pessoa do singular. A concordância é feita com o verbo principal.

O que não se pode fazer é flexionar o auxiliar e o principal = “parecem entenderem”

quarta-feira, 14 de junho de 2017

CONJUGAÇÃO DO VERBO INTERVIR

Professor, li esta frase “O governo russo interviu nas eleições americanas”, em um grande jornal, de circulação nacional. Ela está certa?

O verbo “intervir” é conjugado segundo o modelo do verbo “vir”.

Trata-se de uma palavra formada por prefixação, ou seja, nasceu da adição do prefixo "inter-" ao verbo "vir". Assim, basta seguir a conjugação do verbo "vir".

O equívoco mais frequente é seguir a conjugação do verbo "ver" (como ocorreu no exemplo fornecido).

quinta-feira, 25 de maio de 2017

NESTE / NESSE

Qual a razão de se usar nesse/neste, no texto: “As homenagens pelos 109 anos do Atlético, completados nesse sábado, seguiram neste domingo, no Independência”?

As palavras neste e nesse existem na língua portuguesa e estão corretas. São contrações da preposição em com os pronomes demonstrativos este e esse, isto é, neste = em + este e nesse = em + esse.

Os pronomes demonstrativos este e esse situam o ser no espaço, no tempo e no discurso em relação às próprias pessoas do discurso: quem fala (este) ou a quem se fala (esse).

Nesse e neste são palavras parecidas, parônimas, mas usadas em situações diferentes. A distinção entre os dois conceitos é uma questão referencial (tempo 
e espaço).

Neste: próximo de quem fala
Neste (nesta, nestes, nestas, nisto) é usado quando aquilo que se demonstra está espacial (posição geográfica) e temporalmente (posição temporal) próximo da pessoa que fala. Usa-se ainda para referir aquilo que será mencionado na sequência do discurso (função catafórica).

Exemplos com neste
Resolverei este assunto neste instante!
Este ano acabaremos com a corrupção.
Neste momento não tenho dinheiro para gastar.

Nesse: próximo da pessoa a quem se fala
Nesse (nessa, nesses, nessas, nisto) é usado quando aquilo que se demonstra está espacial (posição geográfica) e temporalmente (posição temporal) próximo da pessoa com quem se fala. Usa-se ainda para referir aquilo já mencionado no discurso (função anaafórica).

Exemplos com nesse
Faltei ao trabalho nesse dia porque havia uma greve de rodoviários.
Foi nesse momento que fui demitido.
Nessa hora todos os deputados tiraram o time de campo.

Logo, no texto apresentado:Qual a razão de se usar nesse/neste, no texto: “As homenagens pelos 109 anos do Atlético, completados nesse sábado, seguiram neste domingo, no Independência”, usa-se nesse para indicar o sábado que já passou (ontem) e neste refere-se ao domingo em que o texto está a ser produzido (hoje).

segunda-feira, 22 de maio de 2017

400.000 CONSULTAS

400.000

ULTRAPASSAMOS AS 400.000 (QUATROCENTAS MIL) CONSULTAS. ESSA MARCA É MAIS UM INCENTIVO PARA QUE CONTINUEMOS O TRABALHO DE AJUDAR A QUEM NOS PROCURA EM BUSCA DE AUXÍLIO NOS DOMÍNIOS DA LÍNGUA PORTUGUESA.

MUITO OBRIGADO A TODOS!!!

sábado, 29 de abril de 2017

QUEM TINHAM DUAS BOLAS?

Professor, em “Fábio reclamou bastante que tinham duas bolas em jogo”, o emprego do verbo “ter” está correto?

No registro formal culto, o verbo ter não deve ser usado com o sentido de “existir”, “haver”, “ocorrer”. Como verbo principal de uma frase, seu emprego deve sempre relacionar um possuidor (sujeito) a algo possuído (objeto).

  • Eu tenho um livro.
  • Maricota tem dois cachorros.
  • Adolescentes costumam ter cravos e espinhas.

Na frase da consulta, “Fábio reclamou bastante que tinham duas bolas em jogo”, se perguntarmos ao verbo “quem tinham duas bolas”, não teremos uma resposta lógica e efetiva, logo não há sujeito explícito (e muito menos implícito).

Seria o caso de um sujeito “indeterminado”? Também não, pois nesse fato gramatical existe o sujeito, mas o autor não quer ou não se interessa em expressá-lo...

Seria o sujeito a expressão “duas bolas”? Também não, pois duas bolas não podem ter duas bolas...

O que ocorre, finalmente, é que o autor da frase usou o verbo ter com o  mesmo sentido de “haver” impessoal e, ainda por cima, equivocou-se na concordância verbal, fazendo o verbo concordar com o objeto direto.


O correto, portanto, é “Fábio reclamou bastante que havia duas bolas em jogo”. 
O autor da frase, com certeza, inspirou-se no saudoso locutor Luciano do Vale, que não se cansava de dizer que “tinham dois jogadores impedidos”...

quinta-feira, 20 de abril de 2017

DESINTERIA / DISENTERIA

Professor, a propósito da declaração “Gilmar Mendes de ter tido uma ‘desinteria verbal’, e atribuindo as acusações à “decrepitude moral” do ministro do STF” o correto é desinteria ou disenteria?.

Os prefixos “des-“ e “dis-“ têm o mesmo valor semântico: juntam-se ao início de palavras (são prefixos) para acrescentar-lhes o valor de contrariedade, dificuldade ou privação.
Há uma pequena observação quanto ao emprego: o prefixo “des-” junta-se a palavras portuguesas, o prefixo “dis-” junta-se a palavras latinas, que depois evoluíram para o Português.

O radical grego “enteros” está na formação da palavra portuguesa “intestinos”.

Quando há mau funcionamento dos intestinos, devemos dizer “disEnteria”, respeitando e etimologia da radical “enteros”.

terça-feira, 4 de abril de 2017

SE VOCÊ VER / SE VOCÊ VIR?

Está certo isto,Professor? “Se você VER pixels brancos em meio as outras cores, já sabe: não é uma TV 4K RGB.

Não!

Quando há dúvida ou incerteza sobre a efetividade da ação que se quer expressar, usa-se o modo subjuntivo do verbo. O verbo VER, no futuro do subjuntivo é: “se eu vir; se tu vires; se ele (você) VIR; Se nós virmos; se vós virdes; se eles (vocês) virem.

O equívoco decorre da semelhança gráfica e fonética entre os verbos VER e VIR: “se eu vier; se tu vieres; se ele (você) vier; se nós viermos; se vós vierdes; se eles (vocês) vierem.

segunda-feira, 20 de março de 2017

SOBRE VÍRGULAS

Professor, gostaria de saber se o uso das vírgulas está correto em: “A presidente do STF, Cármen Lúcia, deve priorizar, em abril, processos de repercussão geral...”.

A expressão destacada exerce a função sintática de aposto explicativo, isto é, define o termo anterior. Como em “Nós, os brasileiros, precisamos melhorar nossos conhecimentos políticos”, o termo negritado diz quem está incluído no pronome “nós”. Poderiam ser os argentinos, ou os paraguaios, ou os vendedores de eletrodomésticos, ou qualquer outro grupo. A norma gramatical determina que todo aposto explicativo seja isolado por vírgulas. Devem-se usar DUAS vírgulas, uma antes e outra depois do aposto explicativo.

Já o uso das vírgulas isolando o termo “em abril” explica-se por tratar-se de um adjunto adverbial posicionado entre o verbo e o objeto direto.

sábado, 18 de março de 2017

QUEM USA SUTIÃS?

Professor, a frase “Angelina Jolie reúne-se com arcebispo sem sutiã e causa constrangimento” está correta?

Gramaticalmente está impecável.

Quanto ao sentido, entretanto, apresenta um defeito grave que prejudica o entendimento. O leitor pode indagar sobre “quem estava sem sutiã” e a pergunta teria razão de ser, embora saibamos que os arcebispos, em geral, não têm o hábito, nem a necessidade, de usar sutiãs.

Trata-se de uma “ambiguidade”. Da forma como foi escrita, pode-se entender que o arcebispo não usava sutiã, embora absurda, a leitura permite tal interpretação.

Para eliminar as ambiguidades, pode-se trocar ou eliminar um termo, deixando que o contexto produza o significado, ou muda-se a posição de um termo na frase.

Elimina-se um termo: “Angelina Jolie reúne-se com arcebispo e causa constrangimento por não usar sutiã” e na sequência do texto explica-se o motivo do constrangimento, isto é, ela não usava o dito cujo.

Mudança de posição de um termo: “Angelina Jolie, sem sutiã, reúne-se com arcebispo e causa constrangimento”.

sexta-feira, 10 de março de 2017

O COMPONENTE / A COMPONENTE

Professor, em “O desequilíbrio fiscal, que tem nos assolado de forma crescente desde 2012, tem duas componentes. A primeira é o desejo da sociedade de enfrentar a agenda da inclusão social. A segunda componente é o poder das corporações, principalmente dos servidores públicos”, a concordância do substantivo componentes está correta?
O dicionário A. Houaiss diz o seguinte sobre o verbete COMPONENTE:
adjetivo e substantivo de dois gêneros
Assim sendo, o vocábulo deve atender sempre às normas de concordância nominal (gênero e número), em seu emprego.
No fragmento textual apresentado na consulta, o termo “componente” refere-se a “desequilíbrio fiscal”. Por conseguinte, nas três ocorrências, deve ser grafado no masculino singular, para a correta concordância nominal.
“O desequilíbrio fiscal, que nos tem assolado de forma crescente desde 2012, tem dois componentes. O primeiro é o desejo da sociedade de enfrentar a agenda da inclusão social. O segundo componente é o poder das corporações, principalmente dos servidores públicos”.

sábado, 4 de março de 2017

CAUSOU-ME / CAUSARAM-ME

A frase "causou-me estranheza as palavras” está com a concordância verbal correta?

Primeiro vamos perguntar: “O que causou estranheza”? É claro que foram “as palavras”, logo o sujeito do verbo causar é da 3ª pessoa do plural e para esse número deve ir o verbo: “Causaram-me estranheza as palavras/ As palavras causaram-me estranheza”.

É frequente o equívoco na concordância verbal, quando o sujeito é plural e está posposto ao verbo. Sempre que houver qualquer dúvida, basta usar a oração na ordem direta para se perceber o engano.

Será iniciada no dia 15 de maio as campanhas eleitorais. = As campanhas eleitorais serão iniciadas no dia 15 de maio.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

SE CONSEGUE / SE CONSEGUEM

Professor, na frase “Os resultados da aplicação de algoritmos mostram que se consegue bons resultados em praticamente qualquer situação” a concordância do verbo “conseguir” está correta?

O sujeito da oração é “bons resultados”. O pronome “se” é um “pronome apassivador” e a oração classifica-se gramaticalmente como “passiva sintética”. Pode-se transformá-la, sem qualquer constrangimento, para “bons resultados são conseguidos em praticamente qualquer situação”, quando, então, será classificada como “passiva analítica”.

Logo, a construção está incorreta, pois o verbo deve ir para a 3ª pessoal do plural, concordando com o sujeito desse número e pessoa.
O mesmo acontece em:

Hoje, por cerca de 100 reais, compram-se dispositivos sofisticados de armazenamento ==è Hoje, por cerca de 100 reais, são comprados dispositivos sofisticados de armazenamento.
Vendiam-se apartamentos por um preço bem abaixo do custos de construção. ==è Apartamentos eram vendidos por um preço bem abaixo do custos de construção.

Local onde se armazenariam as mercadorias roubadas. ==è Local onde seriam armazenadas as mercadorias roubadas.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

DIVISÃO SILÁBICA DE HOMOTERAPIA

Professor, como se faz a divisão silábica da palavra “homoterapia”? ho-mo-te-ra-pia ou ho-mo-te-ra-pi-a?
O correto é “ho-mo-te-ra-pi-a”.

Observe-se que em uma sílaba só pode haver uma e só uma vogal. Nos encontros vocálicos (ditongos e tritongos) ocorre uma vogal ladeada por uma (ditongos) ou duas (tritongos) semivogais.

Os fonemas [u] e [i] podem ser vogais ou semivogais, como em “pUlar” / “pIlar” (vogais) e “loUra” / “loIra”, (semivogais) e serão sempre átonos.

Em HOMOTERAPIA, o [i] é tônico, logo é vogal. O [a] final é o centro de uma sílaba átona.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

HAVER / HAVERIAM

Professor, li essa notícia no jornal O Globo e fiquei em dúvida quanto à concordância do verbo “haver”. “Gilmar Mendes disse que uma discussão em plenário, porém, teria dificuldade de fixar uma regra definitiva para o caso de pessoas investigadas que viram ministro porque haveriam nuances em cada caso”.

E sua dúvida procede.

O verbo “haver”, usado com o sentido de “existir”, é impessoal. Isso quer dizer que ele não se flexiona para concordar com o sujeito. Não importa se o sujeito é singular ou plural, simples ou composto, coletivo ou partitivo, o verbo “haver”, nesse caso, ficará sempre na 3ª pessoa do singular.

“Pessoas investigadas que viram ministro porque haveria nuances em cada caso”. 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

USO DA CRASE

Professor, no título “Combate à fraude e corrupção”, há exigência de crase antes do verbete “corrupção”? Ou, em contexto específico, no qual “fraude e corrupção” formam um único elemento (não podendo ocorrer um separado do outro), haveria, nessa situação, dispensa de crase antes da palavra “corrupção”?

A crase resulta da “fusão” da preposição “a” com o artigo “a/as”. No título em questão, o substantivo “combate” está a exigir um complemento regido de preposição “a”. “Fraude e corrupção” são palavras femininas que formam um termo, "complemento nominal”. A existência do artigo independe de formarem um todo inseparável ou não.
  • A fraude e a corrupção tornaram-se uma constante no cenário político nacional.
  • Fraude e corrupção tornaram-se uma constante no cenário político nacional.
Portanto, o uso da crase é imprescindível nesse caso.
  • O combate à fraude e à corrupção tem sido constante.
  • O combate à fraude e corrupção tem sido constante.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

CHEGAM / CHEGUEM

Na frase “Os cientistas estimam que as espécies que só podem ser vistas com aparelhos especiais chegam a dez milhões...”, o emprego do verbo sublinhado está correto?

Observe-se que a frase expressa um “estimativa”, ou seja “uma possibilidade”. O modo verbal adequado para expressar “incerteza”, “dúvida” quanto à ocorrência da ação descrita é o Subjuntivo.

O correto, portanto, é usar-se esse modo verbal na frase da consulta: “Os cientistas estimam que as espécies que só podem ser vistas com aparelhos especiais cheguem a dez milhões...”.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

UM DOS QUE / UMA DAS QUE + PLURAL OU SINGULAR?

Em "...um dos processos que será avaliado é o relativo ao ...", a concordância está certa ou errada?

A expressão "um dos processos que" admite que o verbo fique no singular ou no plural. Alguns poucos gramáticos argumentam que a existência do substantivo plural antes do pronome que obrigaria o uso do plural, mas predomina o entendimento de que o falante pode usar o número que preferir, singular ou plural.

domingo, 29 de janeiro de 2017

350.000 CONSULTAS

Ultrapassamos as 350.000 consultas.
É um incentivo para que continuemos a ajudar quem nos procura com dúvidas sobre o uso da Língua Portuguesa.

OBRIGADO A TODOS!

VERBO IMPLICAR - Regência verbal

Na frase “A ação policial não deve implicar, necessariamente, na eliminação pura e simples do suspeito”, a regência do verbo “IMPLICAR” está correta?

Esse verbo, quando usado com o sentido de "envolver - enredar", é transitivo direto e, portanto, deve receber complemento verbal SEM preposição.

Implicar A eliminação do suspeito.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

RECLAMAR ALGUMA COISA OU DE ALGUMA COISA?

Professor, na frase “Os agentes reclamam ainda o pagamento do salário de dezembro e do 13º”, o verbo reclamar deveria ser usado como transitivo indireto, pois quem reclama, reclama de alguma coisa?
O que está em jogo aqui é a existência, ou falta, da preposição ligando o complemento ao verbo. Quando se reclama alguma coisa, reivindica-se, exige-se algo a que se julga ter direito ou necessidade.
· Os trabalhadores reclamam mais atenção por parte do governo.
· Mulheres reclamam igualdade salarial com os homens.
Reclamar de alguma coisa é o mesmo que queixar-se de algo.
· A vizinha reclamou do barulho causado pelas crianças.
· A torcida reclama esbravecida da marcação da penalidade.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

ACENTUAÇÃO GRÁFICA NAS PALAVRAS OXÍTONAS

Palavras como se-lo, dize-lo, mata-lo, parti-lo, atrai-lo levam ou não acento no verbo?

As normas de acentuação gráfica determinam que as palavras oxítonas (inclusive os monossílabos tônicos), terminadas em a-e-o, seguidas ou não de [S], levam o acento gráfico conveniente, ou seja, acento agudo nas vogais abertas e circunflexo nas fechadas.

Por isso escrevemos “mulher má”, “café forte”, “jiló amargo”, “bangalô branco”, “urubu mau”, “cidade de Baependi”, “azeite de dendê”.

As oxítonas terminadas em i-u somente serão acentuadas graficamente quando tais letras estiverem na segunda posição de um hiato: “açaí”, “Jataí”, “Tambaú”, “Grajaú”.

Os infinitivos verbais, seguidos dos pronomes átonos o/os-a/as, perdem o [R] final e os pronomes ganham um [L]. Ocorre, então, que o verbo passa a ser uma palavra oxítona terminada em vogal, devendo, portanto, seguir as regras de acentuação gráfica explicitadas acima.

Sê-lo, dizê-lo, vendê-los, torturá-las, matá-lo, parti-lo, corrigi-las, atraí-las...

domingo, 8 de janeiro de 2017

VÍCIOS DE LINGUAGEM

Li a frase “Todos foram unânimes em empoderar a atitude do policial” em um grande jornal de circulação nacional. Considerei de mau gosto e incorreta. O que o senhor acha, professor?

Com certeza, eu não acho graça nenhuma. A frase, embora curta, apresenta dois erros primários e crassos.

Primeiro ressalta a existência de um pleonasmo vicioso em “todos foram unânimes”. A unanimidade já pressupõe que foram TODOS.
A segunda falha está no uso de “empoderar”. Qualquer pessoa que estude línguas sabe que existe um processo interativo entre as línguas e que o chamado “empréstimo linguístico”, em que uma língua toma emprestado termos de outra língua, é um processo de formação de palavras bastante interessante.

O empréstimo linguístico, entretanto, só tem valor enriquecedor quando não há termo equivalente e apropriado para representar aquele significado pretendido. Entram nesse universo termos como “abajur”, “esfirra”, “semântica” e muitos outros...

O uso de “empoderar”, aportuguesamento de “to empower”, não se justifica, pois temos inúmeros termos adequados ao significado de “capacitar”, “fortalecer”, “reforçar” etc.